“Insuportável peso do eu”

Eu sempre soube pouco.

Muito pouco. 

Admito. 

Já são oito,

E eu sem saber 

Se faz sol…

Se chove. 

Sei muito pouco.

Mesmo sobre mim. 

Não sei

se sou flor, 

se sou erva… 

Tenho para mim que há dias

 em que não sou nada.

E outros em que sou tudo,

E outros em que nem cá estou. 

Sei muito pouco

Mesmo sobre ti. 

Se és areia,

Se és mar

Ou a praia inteira.  

Podes até ser só grão. 

Talvez…

Nem seja pouco. 

Sei pouco ou quase nada. 

Ainda bem?

Ainda pior?

As coisas que sei

Nunca as sei muito bem. 

Mas…

As coisas não são minhas.

E tanto melhor. 

Sei muito pouco,

Fica-me a vontade,

A vontade de saber tudo.

E isso basta.

 

Insuportável peso do eu

2021

30 pares de meias de vidro e seixos do rio Douro